sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Caminhada cega


( Raquel Pereira)

Ando sem sorte, sem pão e sem chão.

Ando solitário na estrada escura.

Caminho pequenos passos e não digo onde vou,

nem sei em que direção sigo, apenas vou indo um passo após o outro.

Nem sempre é possível saber a onde ir, é a urgência da vida que pede:

- Vá!

- Aonde?

- Não sei, vá, sem perguntar o porque ir, apenas vá.

Nem sempre é possível prever as intenções, ou prever onde a estrada vai dar.

O passo então segue.

O olho vê longe a distância que não chega com facilidade.

Os pés vão seguindo arrastados pelos chinelos velhos, resultado de tão grande caminhada.

Cansar é normal, é fácil acostumar-se a caminhada sem perceber a trilha, deixar o corpo ir, levado por um caminho descontente,

É fácil continuar seguindo o tempo do relógio, cada tic tac é uma manhã que não se vê mais,um sorriso que não volta, uma palavra que o vento leva.

Um comentário:

EAD/JOYCE disse...

Muito verdadeiro e bonito.Parabéns.