terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O tempo e a cura

                                                                                                                      

(Raquel Pereira)

     Há tristezas que só são amenizadas com o tempo, e é com ele que, vamos ressignificando as dores:  as feridas vão sendo curadas, passo a passo, e as angústias se tornam, a cada dia, mais suportáveis.

     Porém, antes que qualquer cura aconteça, há um logo processo, pelo qual vamos nos despindo das feridas e escuridão da alma. É como um fardo que vai sendo descarregado pelo caminho.

     No começo dessa trajetória, em busca de restaurarmos novamente nossa alegria pela vida, desacertamos tudo, fazemos uma bagunça imensa, mas até a bagunça faz parte das etapas de cura.

     Neste percurso, passamos por grandes transformações, das quais muitas vezes inicialmente não percebemos; até que chegamos àquela tarde chuvosa e nostálgica, com uma paz na alma, e percebemos que, mesmo que tenha chuva lá fora, é preciso seguir.

    Diante dessa percepção, notamos que não há mais peso. Estamos livres: Sem dor, sem fardo, sem tristeza. Apenas com um tempo imenso e uma vida pela frente.


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