(Raquel Pereira)
Há tristezas que só são amenizadas com o tempo, e é com ele
que, vamos ressignificando as dores: as
feridas vão sendo curadas, passo a passo, e as angústias se tornam, a cada dia,
mais suportáveis.
Porém, antes que qualquer cura aconteça, há um logo processo,
pelo qual vamos nos despindo das feridas e escuridão da alma. É como um fardo
que vai sendo descarregado pelo caminho.
No começo dessa trajetória, em busca de restaurarmos
novamente nossa alegria pela vida, desacertamos tudo, fazemos uma bagunça
imensa, mas até a bagunça faz parte das etapas de cura.
Neste percurso,
passamos por grandes transformações, das quais muitas vezes inicialmente não
percebemos; até que chegamos àquela tarde chuvosa e nostálgica, com uma paz na
alma, e percebemos que, mesmo que tenha chuva lá fora, é preciso seguir.
Diante dessa percepção, notamos que não há mais peso.
Estamos livres: Sem dor, sem fardo, sem tristeza. Apenas com um tempo imenso e
uma vida pela frente.

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